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CORRUPÇÃO - BRASIL É 45o EM RANKING DE 99 PAÍSES

 

A Dinamarca é o páis mais honesto e a República de Camarões o mais corrupto em estudo feito por uma ONG

 

 

 

O Brasil ficou em 45o lugar no ranking dos países menos corruptos, ao lado do Malawi, Zimbabwe e Marrocos, segundo relatório divulgado ontem pela organização não-governamental Transparency International.

Houve uma melhora mínima em relação ao ranking do ano passado, quando o país ficou em 46o lugar.

A nota de classificação não permite "passar no exame", de acordo com Fernando Antunes, membro do comitê da Transparência Brasil, filiado à organização sediada na Alemanha.

O Índice de Percepção de Corrupção (IPC), medido desde 1995, levantou informações sobre propinas pedidas aos agentes internacionais por funcionários públicos de altos escalões em 99 países. Os dados foram fornecidos pelos próprios governos e pelos organismos de financiamento externos e compilados por organizações como o World Economic Intelligence Unit, Gallup International, Freedom House e Wall Street Journal, entre outros.

 

Pesquisa fez levantamento da oferta de propina

 

No alto do ranking deste ano, como países menos corruptos, estão os ricos Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia e Suécia, mas em sétimo lugar está Singapura. Em último lugar ficou a República de Camarões. Entre os latino-americanos, o melhor colocado é o Chile, em 19o, seguido de Costa Rica, em 32º. A Argentina ficou em 71o lugar.

 

A International Transparency, que tem representações em 77 países, apresentou um novo índice, que apura a oferta de propinas. Coordenado pelo Gallup International, o Índice de Percepção de Pagamento de Propinas (IPPP) indica os países-sede de corporações mais apontadas como corruptoras. Foram ouvidos 700 executivos, técnicos, advogados, câmaras de comércio e bancos em 14 países emergentes, inclusive o Brasil.

China, Hong Kong, Coréia do Sul e Taiwan ficaram em último lugar entre os pesquisados, indicando que suas companhias são as que mais tentam corromper funcionários governamentais em processos de licitação. Suécia, Austrália e Canadá seriam os que têm menos empresas propensas a oferecer propinas.


Posição incômoda

ROSANE DE OLIVEIRA

Editora de Política

 

Ter se aproximado um degrau da Dinamarca e se afastado da República de Camarões no ranking da corrupção deveria ser comemorado pelos brasileiros como uma boa notícia. Mas não é. O 45o lugar na lista dos menos corruptos, dividindo a posição com Malawi, Zimbabwe e Marrocos, não chega a ser animador: significa ser o 55o entre os mais corruptos e um lugar desses está longe de ser confortável.

A classificação da ONG Transparency International é uma daquelas listas incômodas para quem vai mal, como são as que avaliam respeito aos direitos humanos, índice de desenvolvimento humano, analfabetismo e outras mazelas que afetam sociedades atrasadas.

Esse tipo de ranking tem lá sua utilidade: força os governos a tentar melhorar a posição, no mínimo para preservar a imagem externa.

Em 1997, o Brasil aparecia como o 17o entre os 50 países mais corruptos do planeta. No ano passado, era 54o em 100. Na comparação dos números, houve um avanço. O problema é que a percepção da sociedade não é esta. Em abril, uma pesquisa do instituto Vox Populi constatou que 49% dos brasileiros achavam que a corrupção e a impunidade haviam aumentado nos meses anteriores. Em outubro, a Vox Populi foi às ruas novamente e colheu um resultado chocante: 83% dos entrevistados disseram que a corrupção aumentou nos últimos seis meses.

O Índice de Percepção de Corrupção, medido pela ONG com sede na Alemanha desde 1995, trabalha com as informações sobre propinas pedidas aos agentes internacionais por funcionários públicos de altos escalões em 99 países. Não deve servir de consolo saber que o brasil está melhor do que a Argentina (71o no ranking geral, que começa com Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia e Suécia e termina com Azerbaijão, Indonésia, Nigéria e Camarões).

 


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David Fleischer, Diretor Presidente
Transparência, Consciência & Cidadania - Brasil


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Última atualização: 1-02-2000

 

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