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EXPORTAÇÕES ÀS CUSTAS DE SUBORNO

 

Pesquisa mostra países que recorrem à corrupção para conseguir melhores negócios no mercado internacional

 

 

LEONARDO CAVALCANTI

Da equipe do Correio

Com agência Estado

 

O suborno é uma prática comum nas empresas dos principais países exportadores do mundo. E os alvos são funcionários públicos e empresários de mercados emergentes, principalmente os sul-americanos, africanos e asiáticos. Isso é o que mostra a pesquisa da Transparência Internacional, organização não-governamental especializada em estudos sobre a corrupção administrativa.

O ranking, montado a partir de pesquisa do Instituto Gallup Internacional, aponta empresas chinesas, coreanas e italianas como as que mais tentam corromper empresários de países importadores. O levantamento foi feito entre 770 executivos, contadores públicos, funcionários de câmaras de comércio e advogados estabelecidos em 14 países emergentes, incluindo o Brasil.

A partir daí, foi elaborado o chamado índice de Fontes de Suborno (IFS). A China e Hong Kong ficaram em último lugar entre 19 países pesquisados, o que indica que as suas empresas são as que mais manifestam a intenção de corromper funcionários de alto escalão para facilitar contratos de comércio exterior - a Suécia, Austrália e Canadá apresentam menos empresas com a intenção de oferecer propinas (ver quadro).

A pesquisa não identificou as empresas: "Preferimos usar apenas o nome dos países aos quais elas pertencem, caso contrário os entrevistados não responderiam ao levantamento, o que o tornaria inviável", afirmou o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e representante da Transparência Internacional no Distrito Federal, David Fleischer.

Ele, entretanto, estranha a presença dos Estados Unidos na lista dos 11 primeiros países com empresas que recorrem a esse expediente para fechar negócios. "É impressionante que mesmo com a aprovação da lei proibindo o uso da propina nas transações comerciais, as empresas americanas continuem usando tal recurso", diz Fleischer. Na lista, os Estados Unidos estão empatados com a Alemanha - a pontuação vai de zero a dez e quanto menor o número, maior a disposição em pagar subornos.

"A presença da Alemanha na lista é até coerente, afinal há pouco tempo esse país permitia que as suas empresas descontasse os custos das propinas", afirma Fleischer.

A prática das empresas de lançar gastos com suborno como despesas (um abatimento indireto no imposto de renda) foi rechaçada pela Transparência Internacional e acabou proibida na Europa no último mês de fevereiro.

Com a divulgação do índice, os membros da Transparência Internacional tentam mostrar que, sem corrupção, investimentos públicos e privados resultam em desenvolvimento. "E não é moralismo. É racionalidade. Os investidores têm procurado, cada vez mais, países com baixos índices de corrupção", afirmou o empresário Oded Grajew, do Instituto Ethos.

 

O RANKING DA PROPINA

De onde são as empresas que mais oferecem propina para venderem seus produtos.

 

Posição

País

Pontuação

1o

China (*)

3.1

2o

Coréia do Sul

3.4

3o

Taiwan

3.5

4o

Itália

3.7

5o

Malásia

7.7

6o

Japão

5.1

7o

França

5.2

8o

Espanha

5.3

9o

Singapura

5.7

10o

Estados Unidos

6.2

11o

Alemanha

6.2

Fonte: Transparência Internacional

(*) Inclui Hong Kong

 


Brasil empata com o Zimbabwe

 

A Transparência Internacional também divulgou ontem o índice de Percepção de Corrupção (IPC), que tenta identificar a quantidade de dinheiro pedido aos agentes internacionais por funcionários públicos de altos escalões em 99 países. O Brasil ficou em 45o lugar no ranking da corrupção, ao lado de Malawi, Zimbabwe e Marrocos. Houve pequena melhora em relação à lista divulgada no ano passado, quando o país ficou em 46o lugar.

"A nota de classificação, no entanto, não permite que o Brasil passe no exame. Ficamos para a segunda época", disse Fernando Antunes, membro do comitê da organização não-governamental, que tem sede na Alemanha. Os dados da pesquisa foram fornecidos pelos próprios governos e pelos organismos de financiamento externo, e compilados por organizações como o World Economic Forum, Banco Mundial, Economist Inteligence Unit, Gallup International, Freedom House e WalI Street journal.

No alto do ranking deste ano, como países menos corruptos, estão a Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia. Em último aparecem República de Camarões, Nigéria e Indonésia. Entre os latino-americanos, o melhor colocado é o Chile em 19o, seguido da Costa Rica, em 32o. A metodologia utilizada, segundo o próprio Fleischer, pode apresentar falhas. "Não é uma pesquisa quantitativa e sim uma percepção dos entrevistados."

Ele ainda acredita que no próximo ano o Brasil caia no ranking. "A pesquisa atual foi realizada antes das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPls) da Câmara Municipal de São Paulo, do Senado e da Câmara.

 


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David Fleischer, Diretor Presidente
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Última atualização: 1-02-2000

 

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